A Cidade Encantada de Jericoacoara

5 09 2010

          Dizem alguns habitantes de Jericoacoara que, sob o serrote do farol, jaz uma cidade encantada, onde habita uma linda princesa.

          Perto da praia, quando a maré está baixa, há uma furna onde só se pode entrar de gatinhas. Essa furna de fato existe.

          Só se ponde entrar pela boca da caverna, mas não se pode percorrê-la, porque, dizem, é fechada por enorme portão de ferro.

          A princesa está encantada no meio da cidade que existe além do portão.

          A maravilhosa princesa está transformada numa serpente de escamas de ouro, só tendo cabeça e os pés de mulher.

           Diz a lenda que ela só pode ser desencantada com sangue humano

          No dia em que se imolar alguém perto do portão, abrir-se-á a entrada do reino maravilhoso. Com sangue será feita uma cruz no dorso da serpente e surgirá a princesa com sua beleza olímpica no seio dos terouros e maravilhas da cidade.

          Então, em vez daquela ponta escalvada e agreste, surgirão as cúpulas dos palácios e as torres dos castelos, maravilhando toda a gente.

          Na povoação há um feiticeiro, o velho Queiroz, que narra, com a fé dos profetas e videntes, os prodígios da cidade escondida.

          Certo dia, o Queiroz, acompanhado de muita gente da povoação, penetrou na gruta.

          O feiticeiro ia desencantar a cidade.

          Estavam em frente ao portão, que toda a gente diz ter visto. Eis que surge a princesa à espera do desencanto.

          Dizem que ouviram cantos de galos, trinados de passarinhos, balidos de carneiros e gemidos estranhos originados da cidade sepultada.

          O velho mágico, entretanto, nada pôde fazer porque no momento ninguém quis se prestar ao sacrifício.

          Todos queriam sobreviver, naturalmente para se casar com a princesa…

         O certo é que o feiticeiro pagou caro a tentativa. Foi parar na cadeia, onde permanece até hoje.

          A cidade e a princesa ainda esperam o herói ue se decida a remi-las com seu sangue.

          A princesa ainda continua na gruta, metade mulher, metade serpente, como Melusina e também como a maioria das mulheres.

 

(Câmara Cascudo, ilustrações de Poty,Lendas Brasileiras, Editora Ediouro- 4ª edição.)


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