Boitatá e os fazendeiros

5 09 2010

          Esta é uma história que aconteceu há pouco tempo em uma noite de muito calor. Mas, como nessa madrugada apareceu o Boitatá, o fato ficou tão famoso que muita gente ainda se arrepia ao contá-lo. Foi assim:

          Havia um fazendeiro, que era dono de muitas terras e matas, chamado Francisco Leal. Sua fazenda era uma beleza jamis vista por aquelas bandas.

          Sua Mata era sempre verdinha e suas madeiras, as melhores. Esse homem trabalhador, como muitos outros, tinha vários amigos, mas também alguns inimigos.

          Os inimigos eram uns fazendeiros preguiçosos e invejosos que não se conformavam com a fartura das plantações de seu Francisco. E comentavam entre si, enquanto se espreguiçavam nas redes:

          – Vejam só; como pode aquele velho ter tanta riqueza em suas matas sendo que as nossas estão morrendo secas?

          Porém, o que eles não sabiam, é que o segredo do bom Francisco, além de muito trabalho, era o carinho e a atenção que ele dava para cada planta ou bichinho que habitava as suas terras.

          Parecia que as árvores, as borboletas, os pássaros e até os animais maiores entendiam o que o fazendeiro falava e gostavam de ficar sempre à sua volta, quando ele tratava a terra para o plantio.

          Como, entretanto, a inveja é a mãe de todos os males, os inimigos de seu Francisco não se contentaram em apenas cobiçar o que não era deles.

          Assim, reuniram-se em uma noite, carregando alguns galões de gasolina e penetraram na floresta vizinha às terras do bom fazendeiro.

          – Aqui está bom! Vamos queimar estas árvores e logo o fogo se espalhara para todos os lados – sentenciou um  fazendeiro desprezível.

          – Há! Há Há! Nunca mais aquele velhote vai conseguir ter uma mata tão verdinha e viçosa. Respondeu o outro malvado.

          – Se eu fosse vocês, não faria isso! – aconselhou uma calorosa voz vinda do meio do mato.

          – Quem está aí? Vamos, responda logo, antes que vire churrasquinho – retrucou um dos fazendeiros, já meio nervoso.

          – Fui eu!

          Dizendo essas palavras, surgiu por entre as árvores uma enorme serpente de olhos vermelhos, soltando pela boa labaredas de fogo tão grande que clareavam toda a região.

          Os dois homens invejosos saíram em disparada para dentro do matagal, sem ao menos olhar para trás enquanto ouviam a cobra dizendo:

          – Nunca incendeiem matas sem necessidade, pois sempre que isso acontecer, eu, a Boitatá, virei socorrer aqueles que só fazem o bem para a humanidade.

 

          (Boitatá e os fazendeiros, Coleção “Paraíso da Criança I”- “Séries Brasileiras”, Editora Edelbra)


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2 responses

29 08 2012
alessandra

gostei muito dessa historia me ensinou muito.e me salvou de um trabalho amanhâ.muito obrigada.

30 08 2012
profcatia

Olá, Alessandra, tudo bem?
Que bom saber que pude ajudá-la.
Abraços.

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